LevadasMADEIRA

Percurso de vários dias

A travessia GR1 da Madeira

A administração financiou esta travessia, construiu-a, e não a inscreveu no seu próprio registo de percursos. Cada troço que percorre é regido pelas regras de outro percurso.

Em resumo

A Levadas acompanha cada percurso classificado que esta travessia usa, para ver quais estão limitados antes de marcar uma data.

O GR1 é um percurso oficial da Madeira?

Não. O registo do IFCN dos percursos classificados só tem códigos PR, e nenhuma Grande Rota lá figura.

A distinção não é burocrática. É o código que dá a um percurso um preço, uma reserva e uma entidade que publica o seu estado. O regime de taxas aplica-se por percurso classificado, pelo que um percurso sem código fica de fora, tal como qualquer afirmação de que o conjunto está aberto.

O próprio registo é público: percursos classificados. O regime de taxas é a Portaria 48/2026, que republica integralmente as regras de 2025.

Quem construiu a travessia, e com que dinheiro?

O IFCN, com fundos europeus de desenvolvimento rural.

A referência do projeto é PRODERAM20-4.3.1-FEADER-002543, aprovado a 29 de agosto de 2022, no valor de 399 580,50 EUR do FEADER, com obras de 13 de maio de 2024 a 31 de março de 2025. O objetivo declarado era implementar a primeira Grande Rota da Região.

O registo do projeto é publicado pelo próprio instituto: projeto Grande Rota.

Qual é a extensão da travessia da Madeira?

O único número publicado pela própria administração é "mais de 30 km".

Vem de uma declaração de setembro de 2024 do presidente do IFCN, Manuel Filipe, feita durante uma visita às obras. Descreveu o percurso como um que pode ser constituído pelo conjunto de várias Pequenas Rotas já existentes, e é por isso que um número único é difícil de fixar: a travessia é um conjunto, não um caminho novo.

A declaração foi noticiada na altura pelo Funchal Notícias.

Circulam totais bastante maiores em sites de caminhadas e plataformas de partilha de percursos. Encontrámos outros quatro números publicados para a mesma travessia e nenhum coincidia. Essa contagem mede o que a nossa própria pesquisa devolveu, não quantos existem, e nenhum dos quatro indica uma fonte verificável, pelo que nenhum é repetido aqui.

Que troços é que o IFCN nomeou de facto?

Dois troços de ligação, no seu próprio anúncio de 2024.

Levada dos Cedros até à Vereda do Fanal

O troço novo liga dois percursos classificados do noroeste que antes terminavam perto um do outro sem se encontrarem. PR14 Levada dos Cedros, PR13 Vereda do Fanal.

Vereda do Pico Fernandes até à Bica da Cana

O segundo atravessa o planalto do Paul da Serra, passando pelos Estanquinhos e pelas Fontes Ruivas. PR6.5 Vereda do Pico Fernandes.

São os troços que o instituto nomeou enquanto as obras decorriam. Não existe uma divisão oficial em etapas, pelo que qualquer itinerário dia a dia que encontre, incluindo qualquer um que pudéssemos escrever, é a interpretação de alguém. Não publicamos nenhuma.

O que se consegue mesmo desenhar

Temos o traçado de 13 dos percursos classificados por onde esta rota passa, 96.2 km ao todo. Colocados a seguir uns aos outros, ficam assim.

96.2 km ao longo de 13 percursos classificados, com 7 interrupções que não conseguimos desenhar. A nossa leitura do corredor, não uma rota oficial.

As interrupções a tracejado são a parte honesta. 7 das ligações estão demasiado afastadas para serem unidas por algo que tenhamos, 25.2 km no total, e a maior parte cai exatamente onde foram feitos os novos troços de ligação. Deixamo-las abertas em vez de desenhar uma linha que não temos.

Existe um GPX ou uma lista de etapas oficiais para descarregar?

Não. O IFCN não publica GPX, KML, GeoJSON ou shapefile para nenhum percurso que classifica.

O documento oficial de um percurso classificado é um painel informativo fotografado no início. Numa caminhada que atravessa a ilha em vários dias e encadeia percursos que nunca foram pensados para se seguirem, a orientação fica inteiramente do lado de quem caminha.

Percurso a percurso, existem percursos pedestres: Descarregue os percursos pedestres GPX gratuitos.

O que podemos dar em vez disso

Montámos um. Um único ficheiro reúne os 13 troços cartografados, 96.2 km, cada um como traço próprio. Onde o corredor se interrompe, o ficheiro interrompe-se também: 7 ligações ficam abertas em vez de serem desenhadas por cima. É a nossa leitura do corredor, não um percurso oficial.

Um ficheiro, cada troço cartografado como traço próprio. Onde no terreno não existe caminho cartografado, nada é ligado.

Que restrições publica o IFCN nos percursos atravessados?

A travessia passa por percursos classificados, e uma restrição em qualquer um deles aplica-se à travessia, diga-o alguém ou não. Estes são aqueles para os quais o IFCN publica atualmente uma nota limitativa, nas palavras do próprio instituto.

PR1 Vereda do Areeiro

A IFCN lista as variantes por onde este percurso pode ser feito e assinala uma delas como encerrada. O percurso no seu conjunto está oficialmente aberto, pelo que isto restringe uma variante e não encerra o percurso pedestre. Nas palavras da própria IFCN, em português:

IFCN, LOCAIS DE PASSAGEM: «Vereda este (pelo Pico das Torres) - Encerrado»

PR1.3 Vereda da Encumeada

A IFCN indica encerrado o troço entre Boca das Torrinhas e Encumeada.

Nas palavras da própria IFCN, em português: «entre a Boca das Torrinhas e a Encumeada»

PR12 Caminho Real da Encumeada

A IFCN indica este percurso transitável desde Boca da Corrida, apenas até ao quilómetro 3.5.

Nas palavras da própria IFCN, em português: «desde a Boca da Corrida até ao km 3,5»

PR17 Caminho do Pináculo e Folhadal

A IFCN indica este percurso transitável entre Encumeada Folhadal e Bica da Cana, passando por Caramujo.

Nas palavras da própria IFCN, em português: «entre a Encumeada Folhadal – Caramujo - Bica da Cana»

A página de estado do IFCN tem a data de 24 Jul 2026.

Para o estado atual de cada percurso classificado, veja a página de estado dos percursos pedestres da Madeira.

É preciso reserva para a percorrer?

Não existe bilhete para uma travessia, porque não existe uma travessia classificada. Reserva cada percurso classificado em que põe o pé, separadamente, para o dia em que lá estará.

É a consequência prática do código em falta, e é a parte que a maioria dos itinerários deixa de fora: uma caminhada de vários dias em terreno classificado é uma sequência de reservas separadas, cada uma com a sua lotação.

Para saber quanto custa um lugar e como reservar, veja quanto custa o SIMplifica e como reservar. Nem todos os percursos do caminho são pagos: Que percursos pedestres são gratuitos.

O que isto significa se está a planear vários dias

Um percurso montado a partir de percursos classificados herda todas as restrições que qualquer um deles tenha. É o mecanismo a compreender primeiro, porque muda o sítio onde está o risco.

Um percurso classificado tem uma entidade que anuncia quando fecha. O conjunto não tem. Ninguém publica que a travessia está cortada, porque nenhuma instituição reconhece a travessia como algo que possa estar cortado. O modo como corre mal não é, por isso, um aviso de encerramento lido na véspera. É um entroncamento a que chega ao terceiro dia.

A preparação útil não é, portanto, encontrar uma lista de etapas. É verificar cada percurso classificado que a rota usa, nas datas em que lá estaria, e saber quais exigem reserva.

Perguntas sobre a travessia GR1

O GR1 está sinalizado?

Os percursos classificados que usa estão sinalizados como eles próprios, com os seus códigos PR. Para a travessia enquanto rota, o IFCN não publica qualquer sinalização, e no seu registo não consta nenhuma Grande Rota.

Posso fazê-la em quatro dias?

Não existe uma definição oficial de etapas, logo não existe uma resposta oficial. As contagens de dias que se leem vêm de caminhantes e operadores, não do instituto que construiu os troços de ligação.

É preciso uma única autorização para todo o percurso?

Não. Taxas e reservas aplicam-se por percurso classificado, ao abrigo da Portaria 801/2025 alterada pela Portaria 48/2026. Um percurso sem classificação não tem taxa própria nem reserva própria.

Onde começa a travessia?

Não há qualquer ponto terminal oficial publicado, porque o percurso não está classificado. Ambas as pontas e ambos os sentidos são hábito de quem caminha, não uma regra estabelecida.

É o mesmo traçado do ultra trail da ilha?

Não. A prova tem organizador próprio, traçado próprio e datas próprias, e as duas coisas não estão relacionadas.