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Madeira · eventos do céu

O eclipse solar de 2 de agosto de 2027 na Madeira, e os dois à volta

Um eclipse por que se viaja decide-se na única coisa que não se reserva: o céu estar limpo do lado certo da ilha. A costa norte e a costa sul da Madeira têm com frequência tempo diferente à mesma hora.

A resposta curta

A Madeira fica fora da linha central dos dois eventos, por isso daqui nenhum é total. A 12 de agosto de 2026 a lua tapa 77,4% do sol às 19:46, hora da Madeira, com o sol a apenas 13,3 graus acima do mar a oeste. A 2 de agosto de 2027 tapa 97,0% às 09:35, com o sol a 26,3 graus a leste. O de 2027 é o mais profundo dos treze que o theskylive.com lista para o Funchal até 2052; o mais próximo é o anular de 2028, com 83,2%.

Para cada eclipse que esta ilha recebe, este e os seguintes, as horas são aritmética e o céu não é. Seguimos que lado da Madeira fica limpo, para esta data e para todas as futuras, e é essa a parte a que o passe responde.

15° 30° 45° E SE S SW W 2027 2026 2 ago 2027, a subir 12 ago 2026, a descer

Onde fica o sol durante cada eclipse, visto do Funchal. Na horizontal o azimute, na vertical a altura acima do horizonte, o ponto cheio é o máximo. Calculado com o SunCalc a partir das horas de contacto publicadas para o Funchal.

As horas são fixas e públicas. Que costa vai estar limpa nessa manhã não é, e é a única coisa que decide se vê alguma coisa. O passe avalia isso três dias antes.

Todos os eclipses solares visíveis da Madeira até 2028

Data Da Madeira Sol tapado Hora da Madeira Sol no máximo
12 de agosto de 2026 Parcial 77,4% 18:49 às 20:39 13,3° O
6 de fevereiro de 2027 Parcial 2,3% 17:36 às 18:30 7,2° SO
2 de agosto de 2027 Parcial O mais profundo 97,0% 08:33 às 10:43 26,3° E
26 de janeiro de 2028 Anular, um anel 83,2% 15:19 às 18:08 18,1° SO

As horas são locais do Funchal e variam cerca de um minuto entre a ponta leste e a ponta oeste da ilha. A coluna em percentagem é a obscuração, a fração da superfície do sol que fica tapada, e é isso que se vê. A maioria dos sites publica antes a magnitude, a fração do diâmetro, e nos valores pequenos as duas nem se parecem: a 6 de fevereiro de 2027 a lua leva 7,4% do diâmetro e 2,3% da superfície. Fontes: timeanddate.com para as horas e as magnitudes, theskylive.com para a obscuração.

2 de agosto de 2027: o profundo

O que a Madeira apanha e o que não apanha

O eclipse de 2 de agosto de 2027 é total, mas a faixa de totalidade atravessa o sul de Espanha, Marrocos, a Argélia, a Líbia e o Egito, várias centenas de quilómetros a leste e a sul daqui. Sobre Luxor a totalidade dura 6 minutos e 23 segundos, a mais longa em terra deste século. Da Madeira a lua tapa 97,0% do sol e fica por aí. Esses últimos três por cento não são um detalhe de arredondamento: não aparece coroa nenhuma e o céu nunca escurece. Do primeiro ao último contacto continua a ser dia.

Horas, e para que lado olhar

Do Funchal a fase parcial corre das 08:33 às 10:43, hora local, máximo às 09:35. O sol está a 13,5 graus acima do horizonte no primeiro contacto, a 26,3 no máximo e a 40,6 graus quando a lua finalmente sai, em azimutes de 77, 85 e 94 graus. É leste, a deslizar um pouco para nordeste, sempre a subir. O nascer do sol é às 07:23, por isso o evento começa mais de uma hora depois e dura 2 horas e 10 minutos ao todo.

Porque todos os miradouros de 2026 são os errados

Em agosto de 2026 o sol desce para oeste-noroeste, 13,3 graus no máximo e até 2,3 no último contacto: o que essa tarde pede é um horizonte de mar aberto na costa oeste, e o obstáculo é a própria ilha. Em agosto de 2027 o sol está a leste e sobe acima dos 26,3 graus. Os dois eventos ficam em metades opostas do céu, cerca de 195 graus de distância em azimute. Um sítio que serve para um tem, para o outro, ou o maciço central inteiro ou o oceano inteiro na direção errada. Qualquer lista de sítios escrita para este agosto é francamente enganadora para o do ano que vem, a nossa incluída.

O que se sabe com um ano de antecedência e o que não

O tempo não. Os modelos numéricos chegam a cerca de dezasseis dias, por isso nada do que se publica hoje é uma previsão para 2 de agosto de 2027, e o que se apresentar como tal é inventado. O que já se sabe é a climatologia: o início de agosto é o pico do fluxo dos alísios de nordeste, que encosta nuvens à costa norte enquanto o sul e o extremo oeste ficam limpos com mais frequência, e é também a época em que o pó do Sara é mais provável. Nenhuma das duas decide uma manhã em concreto. Isso decide-se uns três dias antes, que é quando passa a existir uma previsão para aquele céu.

12 de agosto de 2026: um sol baixo a oeste

Horas e cobertura

Do Funchal a fase parcial correu das 18:49 às 20:39, hora da Madeira, máximo às 19:46, quando 77,4% do disco solar esteve tapado. O pôr do sol foi às 20:57, por isso o eclipse acabou cerca de um quarto de hora antes do sol e nada disto aconteceu às escuras. O sol caiu de 25,5 graus no primeiro contacto para 13,3 no máximo e 2,3 no último, em azimutes de 272, 279 e 286.

A costa é a decisão toda

Um sol a 13,3 graus acima do mar atravessava várias vezes o ar que um sol de meio-dia atravessa, por isso névoa e nuvens baixas que no zénite teriam sido invisíveis chegavam para o apagar. Um banco parado ao largo de uma costa podia esconder o evento inteiro enquanto o interior ficava de sol, e nesta ilha o norte e o sul têm habitualmente tempo diferente à mesma hora. O lado não se escolhia com antecedência; só passou a ter resposta uns dias antes.

Fica mesmo escuro com 97%?

Escuro não

Obscuração não é brilho. O sol é umas quatrocentas mil vezes mais brilhante do que a lua cheia, por isso tirar-lhe 97,0% da superfície ainda deixa uma coisa milhares de vezes mais forte do que uma lua cheia no zénite. O que se nota a essa profundidade é a luz a ficar fria e ligeiramente metálica, as sombras a endurecer de uma maneira difícil de situar, e a temperatura a descer. Não aparece estrela nenhuma. Quem não foi avisado pode não dar por isso.

O que mudam os últimos três por cento

A totalidade é outro evento, não uma versão mais forte deste. A coroa, o horizonte a acender-se em toda a volta, a queda para uma coisa parecida com crepúsculo fundo, e o único momento em que o sol se pode olhar a olho nu sem perigo pertencem todos aos segundos em que o disco está totalmente tapado. Com 97,0% não acontece nada disso. Bom saber antes de decidir voar antes para Espanha ou Marrocos, que para este eclipse é um voo curto.

A lua de sangue de 28 de agosto de 2026, antes do amanhecer

Antes do amanhecer de sexta-feira, 28 de agosto de 2026, a lua entra quase por completo na sombra da Terra: no máximo, 93% do seu diâmetro e 96,2% da sua face estão dentro da umbra, restando apenas um bordo fino iluminado. Formalmente é um eclipse parcial e não total, e a distinção é mais subtil do que parece. A parte na sombra ganha aquele vermelho-cobre a que se chama lua de sangue, pela mesma razão que um pôr do sol é vermelho: a única luz que ainda lhe chega foi desviada e filtrada pela atmosfera terrestre.

A Madeira vê toda a fase parcial, coisa que o eclipse solar de agosto não podia oferecer

A fase de umbra decorre das 03:33 às 06:52 hora da Madeira, com o máximo às 05:12. A lua está a 42 graus acima do horizonte no primeiro contacto, 28,4 graus no máximo e ainda 10,6 graus no fim, com o sol outros 9,9 graus abaixo, pelo que nada se perde com o pôr da lua nem com o amanhecer. Compare-se com o eclipse solar do dia 12: 77% coberto, mas com o sol a 13,3 graus acima do mar no máximo e a 2,6 graus no último contacto, a minutos de se pôr. Um único banco de nuvens baixas no horizonte oeste podia apagar esse evento por inteiro. Este só pede um céu.

O mais profundo que a Madeira conseguiu ver desde 1961

Desde 1961, cinco eclipses parciais foram mais fundo do que este, e a ilha conseguiu ver exatamente um deles: o de 26 de agosto de 1961. Dois dos outros nasceram ou puseram-se a meio do eclipse e deixaram a Madeira apenas uma fatia superficial, e um nunca passou do horizonte daqui. O próximo parcial mais profundo cai a 17 de maio de 2068. Antes dele chega um total, a 26 de junho de 2029, e esse é o total mais profundo do século. Este é também o único eclipse lunar de 2026 visível da Madeira: o total de 3 de março passou inteiramente sob o horizonte.

Sem óculos, sem filtro, sem equipamento

Tudo o que esta página diz sobre segurança ocular diz respeito ao eclipse solar e a mais nenhum evento aqui. Um eclipse lunar é o único tipo que se pode olhar diretamente, a olho nu, durante toda a duração, e com binóculos ou telescópio com a mesma segurança. Não está a olhar para o sol. Está a olhar para uma lua milhares de vezes mais ténue do que era uma hora antes. O que pede é terreno suficientemente escuro para mostrar a cor e não apenas a forma.

A segurança dos olhos, que não é a parte opcional

Use óculos de eclipse certificados pela ISO 12312-2 e mais nada. Óculos de sol, vidro fumado, película fotográfica velada e vidro de soldador abaixo do grau 14 não servem aqui. Nunca olhe por binóculos, telescópio ou visor de máquina com os óculos de eclipse postos, porque a ótica concentra a luz e queima o filtro de lado a lado. A retina não tem recetores de dor, por isso um sol eclipsado a 97,0% é confortável o suficiente para se continuar a olhar enquanto faz estragos permanentes, e o dano só aparece horas depois.

Para ler também

As horas são fixas e públicas. Que costa vai estar limpa nessa manhã não é, e é a única coisa que decide se vê alguma coisa. O passe avalia isso três dias antes.

Perguntas

A Madeira vai ver a totalidade a 2 de agosto de 2027?

Não. A faixa de totalidade passa a sul e a leste da ilha, sobre o sul de Espanha, Marrocos e o Norte de África. Da Madeira é um eclipse parcial, com 97,0% do disco solar tapado no máximo. Não há coroa nem escuridão.

A que horas é o eclipse de 2 de agosto de 2027 na Madeira?

Do Funchal começa às 08:33, chega ao máximo às 09:35 e acaba às 10:43, tudo hora local da Madeira, num total de 2 horas e 10 minutos. O sol está a leste, a 26,3 graus acima do horizonte no máximo.

Da Madeira, qual é melhor, 2026 ou 2027?

2027 tapa mais sol, 97,0% contra 77,4%, e acontece com o sol a 26,3 graus num céu de meio da manhã, por isso as nuvens baixas têm menos hipóteses de se meter à frente. 2026 é o mais fotogénico dos dois: uma foice de sol baixa sobre o Atlântico, um quarto de hora antes do pôr do sol. Também pedem lados opostos da ilha, por isso não são a mesma viagem feita duas vezes.

É preciso reservar ou pagar alguma coisa para ver?

Não. Veem-se os dois de qualquer sítio público com vista desimpedida na direção certa, e não entra nenhuma reserva de percurso. O único equipamento que conta são óculos de eclipse certificados.

Quando é o próximo eclipse anular ou total visível da Madeira?

A 26 de janeiro de 2028 há um eclipse anular, um anel de fogo, e vê-se do próprio Funchal: 7 minutos e 1 segundo de anel a partir das 16:47, com o sol a 18 graus acima de sudoeste. É o único dos quatro em que a lua fica inteiramente dentro do disco solar, e é isso que deixa o anel.

Fontes: timeanddate.com · TheSkyLive Verificado a .